Agricultura Moderna

A agricultura inicial dependia somente da fertilidade natural do solo, sempre maior nos terrenos sedimentares das várzeas.

Nos locais secos, a derrubada da floresta contava com a matéria orgânica decomposta no solo. Por isso, era fundamental realizar o "descanso" da terra.

Humus

O acúmulo de matéria orgânica confere vida microbiana ao solo. Na decomposição são liberados os nutrientes necessários às plantas, absorvidos pelas raízes. Por isso sempre se utilizou a adubação orgânica, principalmente esterco bovino.

Pela presença de húmus, os solos orgânicos são sempre mais escuros.

 Início da Agronomia

O químico alemão Justus von Liebig (1803-1873) é chamado de pai da agricultura moderna. Ele demonstrou que o crescimento das plantas depende dos elementos químicos do solo, e não, conforme se supunha na época, do fato de a planta "comer" terra.

Assim começou, no final do século XIX, a era dos fertilizantes sintéticos.

NPK

A fórmula de aplicação de fertilizantes químicos recomenda o uso de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), os chamados macroelementos necessários ao crescimento vegetal.

Complementarmente, a adubação química fornece às plantas microelementos, tais como zinco, ferro e boro.

Entre os fertilizantes químicos, uréia e sulfato de amônio são os principais fertilizantes nitrogenados; super-fosfato (simples e triplo) e cloreto de potássio lideram os demais grupos de adubos.

Fertilizantes

O mercado de fertilizantes no mundo movimenta sessenta bilhões de dólares anuais. China (30%), Índia (13%) e Estados Unidos (12%) lideram o ranking do consumo de fertilizantes no mundo.

No Brasil (6%), o mercado consome 24,6 milhões de toneladas.

Calcário

Rocha moída com elevado teor de cálcio, capaz de elevar o PH (poder do Hidrogênio) do solo, combatendo sua acidez. solos ácidos prejudicam a absorção dos fertilizantes pelas raízes das plantas. a escala PH vai de 0 (zero = máxima acidez) a 14 (máxima alcalinidade).

A utilização de calcário também combate a toxidez causada pelo alumínio solúvel no solo, problema que afeta 63% da área agricultável do Brasil.

A aplicação de fertilizantes varia conforme a região do mundo. Na Ásia oriental, utiliza-se uma média de 194 kg/hectare, contra 117 kg/hectare dos países industrializados. Já os agricultores da África subsaariana aplicam somente 5 kg/hectare.

Defensivos

Cinzas de madeira estão entre os primeiros defensivos agrícolas utilizados no combate às pragas. No fim do século XIX, os inseticidas passaram a ter o arsênico como base química. Muito tóxico, logo foi abandonado.

 Agrotóxicos

Em 1939, o médico Paul Muller descobriu a ação inseticida do DDT (diclorodifeniltricloroetano), que passou a ser utilizado na saúde pública para combater insetos transmissores de tifo, malária e febre amarela.

Logo depois da Segunda Guerra Mundial, o produto foi introduzido na agricultura.

O uso de inseticidas, fungicidas e herbicidas também caracteriza, a partir dos anos 1960, a moderna produção rural. Pragas e doenças aparecem em decorrência do aumento na escala dos plantios, que reduzem a diversidade do ecossistema natural.

Enxofre e estanho também serviram de base para a elaboração de fórmulas com poder fungicida. Representaram a "primeira geração" dos fungicidas químicos.

Depois vieram os produtos baseados em moléculas sintéticas, com fórmulas desenvolvidas em laboratório.
 
BHC

Muito utilizado inicialmente, no Brasil, para combater o besouro causador do mal de Chagas, o BHC (hexacloreto de benzeno) dominou o combate às pragas agrícolas na década de 1960, incluindo formigas saúva.

Ambos, o DDT e o BHC, constituem-se em inseticidas à base de cloro, produto tóxico e altamente persistente no meio ambiente, não biodegradável.

Os inseticidas clorados foram progressivamente banidos em todo o mundo. No Brasil, isso ocorreu em 1985.

Cancerígenos e teratogênicos, os fungicidas mercuriais também foram proibidos em todo o mundo. No Brasil, a proibição chegou em 1975.

  Fungicidas

Fungos, bactérias ou vírus causam doenças nas plantações. O primeiro fungicida utilizado na agricultura era a calda bordalesa, uma mistura de cal virgem com sulfato de cobre, descoberta na França em 1882.

Na Alemanha, em 1914, apareceram fungicidas à base de mercúrio, terrivelmente tóxicos.

 Praga x doença

Praga é sempre um inseto. Doença pode advir de um fungo, bactéria ou vírus.

Ervas invasoras se tornam daninhas às lavouras. O mato era sempre carpido manualmente, com enxadas - trabalho lento e desgastante - até surgirem os herbicidas agrícolas.
 
Muitos herbicidas são seletivos conforme o tipo de folha das plantas. As gramíneas (monocotiledôneas) sempre apresentam folhas finas, de forma que os herbicidas que as atacam não afetam os vegetais de folhas largas (dicotiledôneas) e vice-versa.

Existem herbicidas que são destruidores da capacidade fotossintética dos vegetais. Nesse caso, todas as plantas pulverizadas morrem em poucos dias. É o caso do glifosato.

Os herbicidas de pré-emergência são aplicados antes do plantio da cultura. Nesse caso, afetam as sementes presentes no solo, impedindo-as de germinar.

Existem também os herbicidas de pós-emergência, pulverizados depois que o mato nasceu.
 
Revolução industrial

Em 1785, o inglês James Watt inventou, com base nas ideias de Thomas Newcomen, a máquina a vapor. O descaroçador de algodão surgiu em 1793.

Demorou um século para que Benjamin Holt e Daniel Best, trabalhando separadamente, anunciassem o protótipo inicial do trator a vapor. Em 1904 surgiu o trator de Holt.

Trator

Nos Estados Unidos, John Froelich inventou, em 1892, o primeiro trator a gasolina. Mas a produção comercial de tratores começou com o famoso modelo Fordson, desenvolvido por Henry Ford e anunciado em 1917.

Ração

A produção mundial de ração para animais atingiu 626 milhões de toneladas em 2005. A maior demanda surge da avicultura (40%), seguida da suinocultura (32%), pecuária de leite (16%) e da pecuária de corte (6%).

Campo x cidade

Estima-se que até 2030 o crescimento das áreas urbanas vai subtrair cem milhões de hectares da agricultura. Somente na China, desde 1995, a área rural perdeu dois milhões de hectares para as cidades.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que ainda existam 2,8 bilhões de hectares aptos ao cultivo em todo o mundo. Boa parte desse potencial, porém, ainda está coberto com florestas (45%) e em áreas protegidas (12%).

Mercados emergentes

O consumo de alimentos na Ásia anima os grandes produtores mundiais, como o Brasil. Além da China, outras nações tendem a crescer seus mercados, atingindo em 2015, na Índia US$ 260 bilhões, na Indonésia, US$ 100 bilhões; na Tailândia e no Vietnã espera-se crescimento de 50 a 65% em 5 anos, graças à urbanização e ao aumento da renda familiar.

Genética

Por meio de cruzamentos selecionados, as espécies de plantas e de animais foram sendo melhoradas, visando ao aumento de produtividade, adaptação ao clima ou resistência às pragas e doenças.

Esse processo da genética clássica exige a reprodução dos vegetais ou animais, hibridando-os para buscar vantagens que a natureza não ofereceu.
 



Transgênico

O mecanismo da transgenia foi copiado da própria natureza. Em 1972, os cientistas descobriram que bactérias do gênero Agrobacterium deslocavam parte de seu genoma para plantas hospedeiras, induzindo-as a produzirem açúcares para seu crescimento.

Esse evento mostrava a possibilidade real da transferência de carga genética interespécies. Uma década depois, na Bélgica, os cientistas conseguiram efetuar a transgênese no laboratório. Nascia, então, a engenharia genética.

A relação da tecnologia com os seres vivos é antiga. Os processos de fermentação (pão, vinho, cerveja) e os laticínios (queijo, iogurte) sempre exigiram manuseio de bactérias e fungos. Modernamente, a biotecnologia se confunde com engenharia genética, ou com produtos transgênicos.

Utilizados comercialmente desde 1995, os novos produtos transgênicos são cultivados em 25 países, ocupando 134 milhões de hectares, cerca de 10% da área cultivada no mundo. Em 2009, cerca de 14 milhões de agricultores cultivaram lavouras transgênicas no mundo.

Na soja transgênica tipo RR, a engenharia genética conseguiu tornar a planta imune ao glifosato. Resultado: quando se pulveriza o herbicida sobre a cultura, em pós-emergência (ver Pré e pós), ele mata todas as plantas, exceto a soja geneticamente modificada.

Em área plantada, os Estados Unidos lideram o ranking das lavouras transgênicas, com 62,5 milhões de hectares; seguem Argentina, 21 milhões; Brasil, 15,8 milhões; Índia, 7,6 milhões e Canadá, 7,6 milhões.



Área ocupada

A agropecuária ocupa cinco bilhões de hectares no planeta, correspondendo a 37% da superfície da Terra. Cerca de 1,5 bilhão (11%) é destinado às lavouras, permanentes e temporárias.

Outros 3,5 bilhões (26%) estão ocupados com pastagens, produzindo carne, lã e leite.



Terras raras

Nada a ver com agricultura. O conceito refere-se a um conjunto de 17 elementos químicos utilizados principalmente na indústria de alta tecnologia, como condutores elétricos, em baterias, lentes, fibras óticas.

A China lidera o mercado de terras raras, com 120 mil toneladas, com a Índia em segundo (2,7 mil t) e Brasil com 0,83 t. O preço da tonelada de terras raras atinge US$ 50 mil, num mercado que movimenta US$ 2 bilhões.



Novidade

Mapa com evolução do uso da terra no Brasil
http://goo.gl/BT1ju



Qualidade rural

A garantia de origem se impõe progressivamente no campo. Várias empresas operam no mercado garantindo a qualidade dos alimentos, seguindo critérios e exigências variados, relacionados com as responsabilidades ambiental e social.

Um selo identifica empresas e produtos certificados, conferindo-lhes vantagens no mercado.