História da Agricultura no Brasil

Capitanias

O sistema de capitanias hereditárias, adotado no Brasil pela coroa portuguesa, já vigorava nas ilhas da Madeira e Cabo Verde. Aqui, a primeira doação foi a ilha de São João, segundo a Carta Régia de dom Manoel I, datada de 16 de fevereiro de 1504, tendo-a recebido Fernando de Noronha.
 
Entre 1534 e 1536, dom João III fez a doação de 15 capitanias para 12 donatários, sendo sete combatentes de guerra, na África e na Índia, quatro altos funcionários da Corte e um capitão da confiança de Martim Afonso de Sousa.
 
O caráter hereditário das capitanias acabou em 1759, por conta das reformas modernizantes efetuadas pelo Marquês de Pombal. Com a Lei de Terras, de 1850, começam a escrituração e o domínio capitalista da propriedade rural no Brasil.
 
Pau-brasil

A primeira atividade importante da colônia portuguesa após o descobrimento foi a exploração do pau-brasil - árvore comum da Mata Atlântica, litorânea, muito valiosa pelo pigmento vermelho extraído de seu cerne, utilizado no tingimento de tecidos e na pintura de arte europeia.
 
Os franceses gostavam de traficar pau-brasil. Tinham como aliados os índios tupinambás, além do náufrago português Diogo Correia, o Caramuru, que vivia em Salvador desde 1509 e era casado com a índia Paraguaçu.

Violino

O uso nobre do pau-brasil ocorre hoje na música. O cerne de sua madeira permite confeccionar os melhores arcos de violino do mundo. O som fica imbatível.

Açúcar

As primeiras mudas de cana-de-açúcar foram trazidas da ilha da Madeira, por Martim Afonso de Sousa, que instala em 1533 o engenho de São Vicente, no litoral paulista. Lá surgiu a cachaça brasileira.
 
Foi lá no Nordeste, especialmente em Pernambuco, que a economia açucareira se estabeleceu. Durante dois séculos, o açúcar formou a base da economia colonial, perdendo a primazia mundial apenas no século XVIII, com a produção, na Europa, do açúcar de beterraba.
 
A prosperidade da produção açucareira no Brasil despertou a cobiça dos holandeses, que, em 1630, invadiram Pernambuco. O príncipe Maurício de Nassau dominou o território por quase 25 anos, até 1654, quando os portugueses derrotaram os invasores, expulsando-os.

Borracha

No Amazonas e no Acre, as seringueiras nativas geraram um surto efêmero de riqueza e poder, baseado na extração do látex. Em 1880, as exportações de borracha assumiram a terceira posição na balança comercial, atrás apenas do café e do cacau.

O ciclo da borracha brilhou até 1912, quando o preço caiu fortemente no mercado mundial devido à entrada da produção asiática.

A riqueza do apogeu do ciclo da borracha pode ser espelhada no Teatro Amazonas, construído em Manaus por arquitetos europeus. Foi inaugurado em 1896, com a apresentação da Companhia Lírica Italiana.

Cacau

Desde 1783, o cacau se sobressaiu na capitania de Ilhéus, sul da Bahia. Mas o apogeu do ciclo do cacau se deu na década de 1920, constituindo então singular economia, cenário dos magníficos romances de Jorge Amado, escritor baiano.

Cacau (1933), São Jorge dos Ilhéus (1944) e Gabriela, cravo e canela (1958) descreveram bem essa opulenta - embora restrita - sociedade.

Mineração

Após as primeiras descobertas do ouro no Brasil, na passagem do século XVII para o XVIII, o eixo econômico do Brasil colonial mudou, deslocando-se do Nordeste açucareiro para as Minas Gerais.

Durante um século, até a chegada do ciclo cafeeiro, o ouro comandaria a riqueza nacional.

Em 23 de junho de 1698, a bandeira comandada por Antônio Dias de Oliveira chegou aos pés do pico Itacolomi, onde nasceu a histórica Vila Rica, atual Ouro Preto. Começou ali o ciclo do ouro das Minas Gerais.
 
Tiradentes

Líder da Inconfidência Mineira, revolta acirrada iniciada em 1782 em protesto à derrama, medida administrativa que estabelecia a cobrança forçada de impostos atrasados.

A dívida mineira estava, na época, acumulada em 538 arrobas de ouro. Delatado, o líder acabou enforcado em 1789.

Com as primeiras descobertas do ouro no Brasil na passagem do século XVII para o XVIII, o eixo econômico do Brasil colonial mudou, deslocando-se do Nordeste açucareiro  para as Minas Gerais.

Rio de Janeiro

Em 1763, decadente, a capital do país se transfere de Salvador para o Rio de Janeiro, que começa então a brilhar. Em 1808, a família real se muda para o Brasil.

A Independência é conquistada em 1822. No Nordeste, permanece a velha economia e os coronéis do sertão. No Sudeste, crescem a nova sociedade e a burguesia urbana.

Café

O ciclo do café se implantou logo após a Independência, com as plantações tomando os morros fluminenses e se deslocando rumo ao Vale do Paraíba. Em 1850, São Paulo assumiu a liderança da produção, gerando uma extraordinária riqueza que vai durar até a grande crise econômica de 1929/1930.

Fim da escravidão

Em 1850, com a lei Eusébio de Queirós, o tráfico negreiro ficou proibido. Seguiram-se a lei do Ventre Livre (1871), a lei do Sexagenário (1885) e, por fim, a libertação dos escravos, com a lei Áurea (1888).
 
Imigração

Com a forte imigração italiana, iniciada em 1870, constituiu-se, na economia cafeeira, um regime de trabalho segundo o qual os colonos recebiam seu pagamento de acordo com os pés de café que colhiam e pelos quais zelavam.

Podiam também cultivar alimentos nas entrelinhas dos novos cafezais. Era o colonato do café. Com a crise de 1929, muitos colonos se tornaram agricultores e prosperaram.

Revolta de Ibicaba

Nicolau Pereira de Campos Vergueiro foi pioneiro na busca de alternativas ao trabalho escravo no Brasil, trazendo desde 1847 famílias europeias para sua fazenda em Ibicaba, no município paulista de Limeira. A "colônia de parceria" por ele proposta, porém, levou ao endividamento dos imigrantes e ao consequente fracasso da experiência, que resultou em uma revolta, ocorrida em 1857.
 
 No ciclo do café, com o aumento das lavouras, começou a faltar mão de obra escrava. Chegam italianos fugindo de suas brigas internas, decorrentes da unificação da Itália. Iludidos pelo paraíso da economia cafeeira, entre 1884 e 1904 entraram no país mais de um milhão de imigrantes.

A atração diminuiu depois, verificando-se 282 mil imigrantes entre 1904 e 1923.

A grande crise mundial, desencadeada com a quebra da bolsa norte-americana em 1929, alterou as condições do comércio internacional. O café perdeu valor no mercado e jamais recuperou o esplendor do passado. Acabou nessa época o poderio da oligarquia cafeeira paulista.
 
Crise de 1929

Em 1930 ocorreu uma revolta política no Brasil que levou o gaúcho Getulio Vargas ao poder. Começou então, de fato, a industrialização brasileira, fortalecendo a política dos interesses urbanos e das classes operárias.

Fim da política do "café com leite", período no qual São Paulo e Minas Gerais dividiram o poder nacional.

Cultura rural

Nos primórdios da agricultura brasileira, homens livres, pequenos produtores rurais, viviam nos arredores das plantations de cana. Eram conhecidos como roceiros, caipiras, caiçaras, caboclos, mandioqueiros, brocoiós. Sua forma de morar, viver ou morrer consolidou a cultura rural do país.

Agricultura familiar

No sul do país, especialmente nos pampas, produzia-se charque e eram criados animais (muares e equinos) destinados ao trabalho nas minas de ouro.

Caravanas vindas de Goiás e São Paulo cruzavam a Serra da Mantiqueira para abastecer com alimentos básicos a população, de maioria escrava, que trabalhava nas minas.

Assim surgiu a pequena agricultura no Centro-Sul do Brasil.