Algodão


Algodão (Gossypium sp.) da família das malváceas, de origem variada conforme a espécie, advinda das Américas (G. hirsutum) e da Ásia/Índia (G. arboreum e G. herbaceum). Séculos antes de Cristo, o algodão já era usado por árabes e egípcios. Alcançou relevância econômica e comercial na Europa a partir do século XVII.

O volume mundial de produção atinge 45 milhões de toneladas, em caroço. O Brasil é o quarto maior produtor mundial de algodão, com área total de cultivo de 1,07 milhão de hectares.





Existem espécies de algodão cujas plantas são grandes, semelhantes a pequenas árvores, conhecidas como "mocó". O cultivo desse algodão, de ciclo longo, destaca-se no Nordeste brasileiro. Embora seja bastante resistente, sua produtividade é baixa.

Após a grande crise de 1929/1930, que derrubou a cafeicultura nacional, foi a cotonicultura que surgiu como atividade alternativa, mantendo parte dos empregos e da renda rural, especialmente em São Paulo e no Paraná. Entre as décadas de 1940 e 1960, o algodão se destacou fortemente nas economias paulista e paranaense.

Bicudo

Em 1983, uma terrível praga do algodoeiro chegou ao Brasil, atacando violentamente as plantações. Tratava-se do Anthonomus grandis, besouro da família dos curculionídeos, originário da América Central. Os prejuízos foram imensos, praticamente aniquilando o algodão arbóreo do Nordeste em virtude da dificuldade do controle químico da praga. Hoje em dia, foram desenvolvidas variedades resistentes à praga, o que atenuou o problema.

Escassez de mão de obra para a colheita, doenças (viroses) e a praga do bicudo deslocaram a cotonicultura para a região Centro-Oeste. Novas variedades, em grandes áreas de cultivo, passaram a trabalhar com colheita mecanizada. O regime de chuvas, seco na época da colheita, garante a boa qualidade da fibra. Somados, tais fatores provocaram a decadência das plantações paulistas e paranaenses.

O uso de produtos químicos para o controle de pragas do algodoeiro pode chegar a 25% do custo da produção. Nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil são efetuadas, em média, 18 aplicações de agrotóxicos durante o ciclo da cultura. Na região Centro-Oeste, onde as lavouras são mais recentes, utilizam-se até 11 aplicações somente para controlar o bicudo do algodoeiro.

A qualidade do algodão depende do comprimento de sua fibra, uma característica genética das variedades. As fibras longas (acima de 34 milímetros) permitem a confecção de tecidos mais valorizados. No Cerrado brasileiro, as novas variedades de algodão apresentam fibras mais longas que as antigas variedades paulistas.

Transgênico

Está autorizado no país o plantio de duas variedades de algodão geneticamente modificadas. Em 2005, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberou o algodão Bollgard®, da Monsanto. Em 2008 foi a vez do algodão LibertyLink®, da Bayer. O primeiro se trata de uma variedade Bt, resistente às lagartas; o segundo é tolerante ao herbicida glufosinato de amônio. O algodão transgênico responde por 35% da produção no Brasil.

A Índia adotou o algodão transgênico, conhecido como Bt e resistente a pragas, elevando sua produtividade média de 308 para 515 kg/hectare. Em 2002, a Índia era o terceiro maior importador mundial de algodão. Agora é o segundo maior exportador.

O Brasil exporta 400 mil toneladas de fibra de algodão, principalmente para Indonésia, Japão, Paquistão, Tailândia e Argentina. Também importa cerca de 100 mil toneladas, em particular dos Estados Unidos e do Paraguai.

Saiba mais

Informações técnicas/IAC
http://goo.gl/iyNTj

Cultivo no cerrado/Embrapa
http://goo.gl/UeJ0V 

Algodão colorido/Elêusio C. Freire (Embrapa)
http://goo.gl/dkDzd 

Indicadores de preço/Cepea
http://goo.gl/hsbh